“O Clérigo da Beira” (2002) / Peças

de Gil Vicente

    Estreia: 08/06/2002
    Encenação: Gil Salgueiro Nave
    Interpretação: Alexandre Barata, Ana Ademar, Maria Marrafa, Rogério Bruno, Luís Santiago, Hugo Caroça, Ana Filipa Trindade 
    Cenografia e Figurinos: Luís Mouro
    Música Original: Alexandre Barata
    Iluminação: Rogério Bruno
    Operação de Luz: Pedro Fino e Vasco Mosa
    Construção de Cenários: Angelo Figueira, Tó Fonseca, Marinho Gonçalves, Pedro Fino
    Costureira: Rosa Fazendeiro
    Cartaz: Luís Mouro / João Mouro
    Fotografia: Paulo Nuno Silva
    Produção: Alice Dias
    Secretariado: Eugénia Nunes
“O Clérigo da Beira” Voltamos a encontrar a mesma província de Portugal alguns anos mais tarde na farsa O Clérigo da Beira (1529?-1530?). Neste caso, porém, é uma Beira sem poesia, uma Beira rude e fruste. A farsa é muito desarticulada e constituída por uma série de “sketches”. Não há nela enredo nem mesmo tema dominante. Mas o pormenor das cenas é de grande comicidade. Há uma primeira cena em que se vê “o clérigo da Beira” que vai à caça aos coelhos, na véspera de Natal, acompanhado pelo filho. È um cura de aldeia, sebento e ignorante, que arranha mal o latim, vive em concubinato e cria a família como um camponês. Recita as matinas. E nessas “matinas da Beira” faz Gil Vicente uma dessas paródias truanescas dos textos sagrados com que o seu público devia delirar. As cenas seguintes têm por protagonistas um jovem camponês simplório que vai vender à feira uma lebre, aves e frutas. Deixa-se roubar por dois “moços do Paço” e por um negro. Por fim, numa terceira parte, entra em cena uma rapariga possessa de um espírito chamado “Pedreanes”. Falando pela boca da moça, Pedreanes faz o horóscopo de várias personagens da corte. Esta cena, como é evidente, perdeu para os leitores de hoje o interesse que devia ter para os seus contemporâneos. Era mesmo o trecho fundamental da farsa, visto que esta é designada no Index de 1551, por O Auto de Pedreanes. Para os leitores modernos o interesse da obra foi transferido para as outras cenas e, principalmente, para a personagem do cura rústico. Paul Teyssier in “Gil Vicente – o autor e a obra”

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