"A Arte da Comédia" (1996) / Peças

de Eduardo di Filippo

    Estreia: 31/05/1996
    Encenação/ dramaturgia: José Carretas
    Interpretação: João Azevedo, Mário Timóteo, Miguel Telmo, Eduardo Ranito, Alexandre Barata, Dulce Vermelho, Tó Fonseca, Luzia Paramés, António Carvalho, Valdemar Gomes. 
    Cenografia: José Carretas
    Desenho de luz: Fernando Sena
    Figurinos: Margarida Wellenkemp
    Fotografia: Susana Paiva
(...)Seis metros de boca de cena, mais nada. Seis metros por quatro de fundo. Representei tudo o que quis nuns metrinhos quadrados assim! O Shakespeare todo e o Molière todo. Podem-se representar dois mil anos de teatro em cima de poucos metros quadrados de tábuas. Que importância têm os cenários? Quais foram os cenários que eu sempre tive? Uns trapos pintados que eu próprio pintava de qualquer maneira com duas pinceladas. O Torreão do Castelo, A Sala do Trono, A Floresta, estava tudo ali! E o pano de boca? Uma lona que nunca caía bem: embaraçava-se nas cordas, prendiam-se as argolas. E o público não dizia nada. “Respeitável público, pedimos desculpa pelo incidente”, e quem acabava de fechar o pano era eu, vestido de Otelo, de Criado, de Príncipe da Dinamarca. Que importância tinha? Uma noite quem teve de fechar o pano foi a minha filha vestida de Ofélia. Não foi o meu filho, vestido de Romeu, que teve de pregar a varanda da Julieta que se tinha despregado? “Respeitável público, dois minutos de paciência, senão temos que levar a pobre Julieta para o Hospital”. Uma gargalhada, um aplauso, duas marteladas e o actor retoma a cena a partir do momento em que a tinha deixado. Os actores da minha geração chegavam a inventar acidentes de propósito no teatro, para dar ao público a sensação de imprevisto. É este imprevisto que eleva o teatro a uma forma de arte sublime, singular única. (...) as ruas verdadeiras, as praças verdadeiras, as árvores, os salões autênticos, a amplidão de uma vista de montanha, de campo, de mar,... Isto tudo tem o espectador no cinematógrafo... No teatro é a fantasia do público que conta. (...) Quantas vezes, quando eu colocava os bigodes de Macbeth – Eu faço Macbeth de bigodes -, os colei de propósito um bocadinho tortos. No teatro a suprema verdade foi sempre e sempre será o supremo fingimento. “ Arte da Comédia” de Eduardo Filippo

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