"Passos de Comédia" (1996) / Peças

de Lope de Rueda

    Estreia: 20/06/1996
    Encenação: Gil Salgueiro Nave
    Interpretação: Miguel Telmo, Eva Paula, Alexandre Barata, Dulce Vermelho, João Azevedo, António Taborda 
    Cenários e figurinos: José Carlos Faria
    Direcção musical: Gregg Moore
    Músicos: António Taborda, Alexandre Barata, Gil Salgueiro Nave, Gregg Moore
    Aderecista: António Canelas
    Operação de luz: João Tomás
    Construção de Cenários: Duarte & Gouveia lda.
    Maquinaria: António Fonseca
    Montagem: Rui Gonçalves, Tó Fonseca, António Canelas
Lope de Rueda é um fruto peculiar do teatro espanhol no Século XVI. Percorreu toda a península como actor, actividade que compartilhou com a de autor. Os seu “Passos” – peças curtas que se intercalavam com a representação de outras obras – chegaram até aos nossos dias como exemplo de um teatro de raiz popular, pleno de recursos cómicos, e ao mesmo tempo um documental excepcional da vida e costumes da época. O presente espectáculo compreende cinco “Passos” de Lope de Rueda recolhidos no “El Deleitoso” (1565), “La tierra de Jauja” ( A terra das Maravilhas), “Cornudo y Contento” ( Cornudo e Contente), “ La Carátula” (A Carraça), “Las Aceitunas” (As Azeitonas) e, ainda, “La Generosa Paliza” recolhido no Registo de Representates” (1570) que se introduz neste espectáculo sob o titulo de “O Torrão de Alicante”. Os temas musicais utilizados, são arranjos livres para trompete, saxofone e percussões a partir de canções populares espanholas recolhidas e harmonizadas por Frederico Garcia Lorca no início deste Século. Uma longa viagem fizeram os pequenos textos deste pobre comediante, séculos de caminhos prenhes de memórias, calcorreando estradas poeirentas, caminhada dura em carroça, agora a diesel, cruzando os pícaros, malteses, saltimbancos e ciganos, resistindo ao tempo, fazendo a lenda, coabitando e agitando a tranquilidade antiga dos povoados. Num desfile de estranhos personagens, sacudindo o pó a velhas farpelas, colocámos as máscaras carcomidas (mas sempre recuperáveis) de outros tempos, saltámos para o tablado mostrando burlões e burlados, velhos mitos e promessas de abundância, famintos alucinado, medos e risos, discussões ocas: - coisas de todos os tempos. Estas pequenas peças voltam a representar-se nos lugares e a destinar-se aos públicos, para quem foram escritas. “Arrancámo-los do fundo das bibliotecas, arrebatámo-los aos eruditos e assim os devolvemos à luz do sol, e ao ar livre das aldeias”. Traço grosso a marcar a co, compasso forte em trompete e bombo, longe das salas climatizadas da urbanidade cosmopolita continuamos mais esta vige, e se nos permitem, com todo o respeito e admiração, dedicamos este espectáculo à memória grande Poeta Dom Frederico Garcia Lorca que enter tanta poesia, encenou, musicou e foi actor nos “Passos” de Lope de Rueda. Gil Salgueiro Nave

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