"A Pele de Um Fruto Numa Árvore Podre" (1996) / Peças

de Vítor Haim

    Estreia: 31/10/1996
    Encenação e dramaturgia: João Azevedo
    Interpretação: João Azevedo, José Alexandre Barata, Tó Fonseca
    Cenografia e adereços: António Canelas
    Assistência de encenação: José C. Pontes
    Desenho de luz: José C. Pontes
    Música e sons: Alexandre Barata
    Voz Off: Elizabete Antunes
     
Era uma vez ... ... Raul Real, ex-ministro do interior de um belo país imaginário, que depois de ter escapado a um atentado, a uma prisão e a um julgamento, decidiu tornar-se terrorista, por conta própria. Decisão perfeitamente natural, na sua lógica de ex-ministro de todas as polícias. Vamos encontrá-lo na solidão de um pico rochoso, cercado pelos seus antigos esbirros, - há quem lhes chame polícias - agora dirigidos por um seu antigo correligionário - vulgo camarada. O novo ministro vai naturalmente usar os métodos repressivos que o seu antecessor implementou - gosto desta palavra, muito usada por políticos, que estão sempre a implementar... Voltando à história, o nosso teórico pode vir a ser apanhado pelas suas próprias teorias. O que até é justo, convenhamos, embora raramente aconteça. Porém, um homem que decidiu tornar-se terrorista, não se entrega assim sem mais nem menos. A não ser que se arrependa. Ora, um antigo ministro do interior, não é um arrependido. Ele vai resistir, contra-atacar, furar o cerco e dar um pulo de lobo ao país real, para o pôr a ferro e fogo. Mas, enquanto isso não é possível, vai contar-nos como chegou ao poder, como aperfeiçoou o sistema repressivo que ainda está em vigor no país e, por fim, como foi atraiçoado por um camarada seu. O que é absolutamente natural em política. Sem querer, Raul Real, vai denunciando a ambição do poder, a hipocrisia, a crueldade, a bestialidade política. A sua linguagem é a das casernas. Grosseira, agressiva, vulgar, e poderá chocar os espíritos mais puritanos. Mas é essa linguagem precisa, clara, viva, a mais adequada à desmontagem da lógica absurda do poder. Felizmente que a repressão, a tortura, os cárceres, são coisas que só acontecem em países imaginários e mesmo assim longínquos... Pois!... João Azevedo

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