"Marinela - Uma nuvem que não queria chover" (1997) / Peças

de Fernando Bento Gomes

    Estreia: 16/05/1997
    Encenação/ adaptação: Isabel Bilou
    Interpretação: Miguel Telmo, Eva Paula, Alexandre Barata, Tó Fonseca, Vítor Correia 
    Cenografia: António Canelas
    Figurinos: Bisnoca
    Musical original: Gil Salgueiro Nave
    Desenho de luz: Fernando Sena
    Aderecista: António Canelas
    Operação de luz e som: Rui Gonçalves
    Produção: João Azevedo
    Costureira: Rosa Fazendeiro
    Construção de Cenários: Duarte & Gouveia lda.
    Fotografia: Susana Paiva
Marinela é uma história que fala de amor, da força poética que o próprio amor encerra. É a arte do encontro entre uma nuvem e o vento. Ela recusa-se a chover, preferindo viver a vida intensamente sem qualquer tipo de constrangimento, saboreando cada momento, como se de uma constante aventura se tratasse. Ele o jovem vento, é o símbolo do dever, a quase personificação de quem só nasceu para trabalhar, não esperando da vida outra compensação se não a da prometida reforma quando a velhice chegar. Não sabe o que é o prazer. Ele próprio afirma que “não tem tempo nem jeito para folias”. “Tudo o que faz na vida é soprar, dormir e depois recomeçar”. A beleza de Marinela e o seu poder persuasivo são mais fortes do que tudo e o que não era previsto aconteceu. Vivem então juntos uma aventura fascinante que parece não ter fim “à noite brincavam com as estrelas, cavalgavam em repuxos na imensidão do mar, voavam felizes acompanhando as gaivotas, e até mesmo ao arco-íris quiseram trocar-lhe as cores. Não havia dúvidas tinham perdido ambos a cabeça”. Mas o fascínio da paixão, sofre o golpe frio da impossibilidade. Sem vento, o mundo pára, sem vento e sem chuva, toda a natureza vai sucumbindo, sem forças para responder ás necessidades dos homens e dos animais, de tudo o que neste planeta vive. Os seus caminhos são opostos, dura é a separação, mas é sem hesitar que partem os dois ao encontro da realidade, voltando a estabelecer na terra o equilíbrio ecológico, o sentido da vida. Deste amor fica a doce recordação. De nós, homens e mulheres de teatro, fica a vontade despretensiosa mas persistente, de partilhar convosco, público jovem de todas idades, o prazer cúmplice de fazer deste espectáculo um estímulo, o desejo de voltar. Que o nosso trabalho cumpra pois no palco, o que Fernando Bento Gomes tão maravilhosamente escreveu. Esta linguagem poética, é a força da imagem feita acção. Isabel Bilou

Outras peças em cena