"A Boda dos Pequenos Burgeses" (1998) / Peças

de Bertolt Brecht

    Estreia: 24/03/1998
    Encenação/ dramaturgia: Rui Sena
    Interpretação: Miguel Telmo, Eva Paula, Alexandre Barata, Carlos Calvo, Vítor Correia, Eduardo Ranito, Ana Lídia, Lélia Guerreiro, Bina Ferreira 
    Cenografia: José Manuel Castanheira
    Figurinos: Susana Machado
    Musical original: Gil Salgueiro Nave
    Músicos: Gil Salgueiro Nave, Luís Cardoso, Domingos Alberto
    Tradução da canção: Luiz Varela
    Desenho de luz: Rui Gonçalves
    Assistência de encenação: Bina Ferreira
    Assistência de cenografia: Susana Machado
    Operação de luz e som: Rui Gonçalves
    Apoio à montagem: Tó Fonseca, Bruno Gouveia
    Costureiras: Rosa Fazendeiro, Fátima Rato
    Construção de Cenários: Duarte & Gouveia lda.
    Fotografia: Paulo Nuno Silva
O desastre militar da Guerra de 14-18, a Revolução Alemã de Novembro de 1918, o abortamento desta revolução Espartaquista e, enfim, o Tratado de Versalhes que determinam, em grande parte, o rosto da Alemanha na manhã seguinte à Primeira Guerra Mundial. É, mais ou menos, neste tempo conturbado, que o jovem Brecht influenciado pelo expressionismo alemão, Wedekind, Büchner e, sobretudo, Karl Valentin e é para ele que, por vezes, escreve as suas peças em uma acto: LUZ NAS TREVAS, EXORCISMO, O MENDIGO E O CÃO MORTO e A BODA DOS PEQUENOS BURGUESES. Nesta última trata-se de uma boda depois da ida à igreja dos noivos. a noiva já está grávida e o noivo, que é marceneiro, está orgulhoso de ter construído, sozinho, toda a mobília. A refeição desenrola-se lentamente, constituindo os actores personagens de um ballet de gestos e atitudes, num cerimonial falso. Falso porque pede emprestado as regras do cerimonial às da burguesia, classe que lhes será imediatamente superior e à qual não pertencem. A ilusão das aparências irá desaparecer e mostrar o verdadeiro rosto das personagens. Desmontadas, nada resta delas senão a sua tacanha maneira de pensar pequeno-burgues. Disputam-se e provocam-se, ao ritmo do vinho, enquanto os móveis se vão partindo, e se desagregam as relações que pareciam existir entre elas. As personagens constatam umas nas outras, que não correspondiam à imagem que tinham de si próprios e dos outros, atacando-se mutuamente na vulnerabilidade de actores que representam um papel que não lhes pertence. A família como célula da Ideologia do Estado é posta a nu. Os seus membros odeiam-se, fingem amar-se e penduram-se uns nos outros para não ficarem sós. In “Sobre Brecht” de Mário Sério

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