"O Saco Amarelo" (1998) / Peças

de -

    Estreia: 24/06/1998
    Encenação/ dramaturgia: Isabel Bilou
    Interpretação: Lélia Guerreiro, Eva Paula, Alexandre Barata, Tó Fonseca, Vítor Correia 
    Cenografia/ adereços: João Sotero
    Figurinos: Conceição Nunes
    Musical original: Gil Salgueiro Nave
    Desenho de luz: Rui Gonçalves
    Operação de luz e som: Rui Gonçalves
    Produção: Lélia Guerreiro
    Maquinaria: Bruno Gouveia, Tó Fonseca
    Costureira: Rosa Fazendeiro, Fátima Rato
    Construção de Cenários: António Galhano
    Fotografia: Paulo Nuno Silva
É através do imaginário que a criança aprende a crescer, a conquistar a realidade transformando-a em certezas, a fazer do sonho o caminho da mudança. A criança é um ser sensível, com olhos grandes de ver, de observar. Limitarmos-lhe a imaginação é condicionar-lhe o futuro a sua capacidade criativa. É permitir que a arte se torne moribunda, que o mundo se afunde na sua própria estagnação. “O Saco Amarelo” é uma história onde o imaginário e a realidade se confundem no mesmo universo. Fala da amizade, da solidariedade, da igualdade, da injustiça e da incompreensão. No coração de Raquel, personagem desta história e criança como tantas outras, estes sentimentos crescem, aumentam, pulsando de uma forma contida no secretismo das suas vontades, perante a indiferença do mundo distante dos adultos. A solidão é inevitável. Raquel sente-se minúscula no seio da família; “adultos há já muito tempo” como ela própria afirma. Deseja então crescer depressa e deixar de ser criança. Como sente frequentemente nas suas relações quotidianas a discriminação que ainda se faz sentir entre sexos diferentes, preferia ter nascido rapaz em vez de rapariga. Anseia sobretudo ser escritora porque “o romance apesar de ser a coisa mais inventada do mundo” segundo ela diz, sabe falar da verdade. E Raquel escreve, constrói personagens e através da sua forte imaginação, faz deles os seus melhores amigos, ao dar-lhes vida transpondo-os para a realidade. Vive com eles fortes emoções, o prazer da descoberta, a cumplicidade que a amizade encerra. As sua vontades transbordam finalmente (de tão guardadas e fechadas dentro de si). Raquel sente-se de repente leve. Leve como um papagaio ao vento. A amizade e a solidariedade transportam-na para um grande mundo que também pode ser dela. E esta menina que durante muito tempo desejou ser rapaz, começa então a crescer, mulher, devagarinho, como uma criança que deve crescer, parte então ao encontro de novas vontades, saboreando com prazer o sentido da vida. “O Saco amarelo” é um espectáculo dirigido sobretudo às crianças, mas onde a ausência de adultos se faz sentir inevitavelmente. Isabel Bilou

Outras peças em cena