"Ambulância" (2001) / Peças

de Gregory Motton

    Estreia: 25/10/2001
    Encenação: Gil Salgueiro Nave
    Interpretação: Eva Fernandes, Ana Filipa Trindade, Dulce Vermelho, Josefina Massango, Marco Ferreira, Jorge Baião, Rui Nuno, Ricardo Cruz 
    Tradução: Luís Nogueira
    Dramaturgia: Isabel Lopes
    Cenografia e Figurinos: José Carlos Faria
    Iluminação: João Carlos Marques
"Ambulância" é uma peça sobre a realidade alheada das cidades dos nossos tempos. Cidades de paisagem trémula, atravessadas por almas desencantadas e sem esperança; seres que habitam do lado de fora do sistema, cujos códigos não sabem, ou não querem, interpretar. Ou que já desaprenderam, numa espécie de rejeição inconsciente. O que é que fazem nesta noite riscada pelo passar de luzes azuis, pelo cintilar dos planetazinhos (ou estrelas?) cor de laranja, com valsas para clavicórdio em fundo, tudo ponteando os abismos negros da cidade. E mais os gemidos de ambulância, a sucessão de tufões domésticos das centrifugadoras, o rugir ameaçador das máquinas de lavar. E sobre esta paisagem trémula, o trânsito aleatório das almas mortas que vagueiam por uma cidade (Londres, podia ser outra) desta Europa finisecular ou finicivilizacional onde a esperança parece ter-se tornado impossível. Dejectos? Ou outra coisa: mutantes, seres alheados do sistema e dos seus sinais, dos seus códigos que não querem ou não sabem interpretar. Ou que desaprenderam numa espécie de rejeição inconsciente.

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