"Farsas per musica" (2012) / Peças

de Carlo Goldoni

    Estreia: 21/06/2012

    Encenação: Gil Salgueiro Nave
    Tradução: Luís Nogueira
    Cenografia e figurinos: Luís Mouro
    Música: Helder Gonçalves
    Interpretação: Adriana Pais, Marco Ferreira, Pedro Damião, Silvano Magalhães e Sónia Botelho
    Desenho de luz: Jay Collin
    Produção: Teatro das Beiras
    Secretariado: Eugénia Nunes
    Fotografia: Paulo Nuno Silva
    Vídeo: Ivo Silva

o espetáculo

“Farsas per musica” é uma proposta de espetáculo sustentado no perfil de um teatro itinerante de “estrado” e ar livre, numa citação contemporânea do teatro barroco marcado por uma destacada intervenção musical inspirada na tradição do teatro musical burlesco. Espetáculo construído numa abordagem do teatro no teatro onde os atores de hoje se revêem numa prática artística que é ao mesmo tempo um exercício de representação citando os seus antepassados companheiros de ofício. Este espectáculo é organizado a partir das farsas: Il Matrimónio Discorde e La Cantarina. Amores, ciúmes, seduções, dinheiro e fingimentos, são ingredientes de um teatro que está prestes a deixar cair as máscaras tipo da comédia del’arte para dar lugar a personagens com traços de caráter realista e rosto humano, anunciadores de mudanças sociais que chegariam com a Revolução Francesa. A aristocracia em decadência e a burguesia em ascensão disputando no palco os seus privilégios materiais e éticas morais num tom burlesco e poético capaz de provocar o olhar curioso e complacente do espetador do nosso tempo.

O autor

Carlo Goldoni (1707-1793), referência fundamental do teatro europeu do século XVIII, influenciou profundamente o gosto e a prática teatral do seu tempo operando a “reforma” do teatro italiano. Um teatro que pela sua rica tradição e mobilidade era representado em toda a Europa. Portugal esteve na rota dos autores, atores e compositores italianos. Largas dezenas de comédias, farsas e “dramas per musica” da autoria de Carlo Goldoni, foram traduzidas e adaptadas ao “gosto português” e insistentemente programadas nos “Theatros Públicos da Corte” do Portugal de Setecentos. Os teatros lisboetas do Bairro Alto, da Rua dos Condes, Real Theatro da Ajuda, Theatro do Salitre, Theatro da Graça, mas também fora de Lisboa, no Real Theatro de Salvaterra, no Theatro de Queluz, Theatro do Corpo da Guarda na cidade do Porto, havendo ainda notícias de representações no Funchal, Beja e Amarante, dão-nos a ideia da proliferação destas obras. O número de obras do autor depositadas na Biblioteca Nacional de Lisboa, Torre do Tombo, Biblioteca Pública de Évora e Sala Dr. Jorge de Faria da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra confirmam a importância do teatro goldoniano no nosso país. A grande quantidade de edições com traduções das comédias, farsas e “dramas per musica “ adaptadas e dados a ver como “comédias novas” eram representadas para um público burguês, que pouco a pouco adquiria o hábito de frequentar os teatros que com a passagem do tempo se tornavam cada vez mais populares.

 Goldoni e o Teatro das Beiras

No percurso do que tem sido a prática de repertórios do Teatro das Beiras e sua revisita aos clássicos, apresentámos em 2000, a comédia de Carlo Goldoni “Uma das últimas tardes de Carnaval“ e mais recentemente no ano 2007 a obra “Molière” comédia biográfica que Goldoni escreve homenageando aquele que considerava seu mestre e de quem era grande admirador.
 

Outras peças em cena