"Radio Cabaret" (2014) / Peças

de Karl Valentin

    Estreia: 15/05/2014
    Encenação: Gil Salgueiro Nave
    Interpretação: Adriana Pais, Marco Ferreira, Pedro Damião e Sónia Botelho
    Cenografia e figurinos: Luís Mouro
    Desenho de Luz: Jay Collin
    Operação de som e luz: Jay Collin
    Fotos: Paulo Nuno Silva
“Radio Cabaret”  é um espetáculo construído a partir  dos textos do comediógrafo alemão Karl Valentin. Num ambiente social de um bairro popular é emitido a partir de um pequeno auditório, (o auditório da  Emissora de Rádio do Bairro), um programa de variedades onde desfilam  personagens-tipo,  criados pelo imaginário daquele que foi um dos autores que no seu exercício de criação teatral,  mais influenciou e determinou o chamado teatro de variedades europeu.  Através de paródias, jogos de palavras, trava-línguas, enredos linguísticos, a construção deste espetáculo  é estruturada tendo como ponto de partida alguns dos elementos  mais representativos  da sua obra; monólogos, diálogos, cenas, peças e canções,  que são o universo da criação artística e  teatral  de Karl Valentin,  organizadas numa linha estética que supõem  poder interessar e agradar ao público contemporâneo português. O carácter  clownesco e  multidisciplinar inspirado em situações do real confluem para um universo ficcional onde ao real-programático se opõe o absurdo e o irreal-fantástico.   Propagado e difundido pela produção artística no século XX no espaço europeu e de origem remota e distante no tempo (antiguidade clássica e idade média), o chamado teatro de variedades,  que em Portugal era designado por Teatro de Revista,  foi sempre um território de expressão artística onde a  crítica e o sentido cómico,  às vezes trágico,  era consubstanciado em torno das questões sociais.   As obras de  Karl Valentin, como  Charlie Chaplin ou Buster Keaton  cujas características  são exemplo de comunicação estética e artística,  influenciaram a criação teatral do último século. Muita da criação teatral contemporânea  está marcada por esta  influência,  visível no teatro do absurdo (Ionesco, Samuel Beckett , Adamov), surgido no rescaldo da Segunda Guerra Mundial, cuja  atmosfera  é marcada por um ambiente de devastação, isolamento  e falta de comunicação na sociedade contemporânea, mostrada artisticamente  por meio de alguns traços estilísticos e temas que divergem decididamente do teatro de carácter  realista.

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