TEATRO DAS BEIRAS APRESENTA "A ILHA DOS ESCRAVOS" AO AR LIVRE

15 e 16.JUNHO > 22H
TEATRO DAS BEIRAS (AR LIVRE)


A ILHA DOS ESCRAVOS, de Marivaux
 

A Ilha dos escravosfaz do palco uma ilha utópica, uma sociedade em conformidade com a razão, um modelo imaginário onde uma sábia legislação contraria as injustiças das sociedades reais. O género disseminou-se no ocidente na esteia da Utopia de Thomas More (1516), a sua popularidade não parou de crescer e o tema marcará o século das Luzes, a começar desde logo no jovem Marivaux.
Uma ilha, uma tempestade, um naufrágio: ingredientes clássicos da viagem utópica. Marivaux opta adicionar aqui, a distância do tempo, reportando a acção para a Antiguidade.
Ificrato e Eufrosina, acompanhados dos seus criados, Arlequim e Cleanta, naufragam numa ilha que é um refúgio de escravos gregos. Trivelino, governador da ilha, propõe aos dois criados que assumam o papel de seus patrões, a fim de os corrigir do pecado do orgulho e da vaidade. Em suma, “um curso de humanidade” com o intuito de os tornar sensíveis à dor que infligiram sobre os seus criados. Os antigos patrões serão convertidos em escravos com vista ao seu arrependimento para assim recuperarem a liberdade.
Arlequim e Cleanta representam os seus papéis com brio pondo à prova os nervos dos seus amos, agora “escravos”. E como justamente sublinhou Bernard Dort, “a prova do outro transforma-se inevitavelmente numa prova a si próprio, os novos “amos” terão também muito a aprender”.
Para Marivaux o tratamento terapêutico passa então por uma cura pela acção. Os viajantes observadores de um mundo transformado, tornam-se os actores da sua própria transformação. A viagem consiste em olhar para si próprio e romper véus e máscaras para chegar ao Homem: a salvação não vem da razão do legislador, mas do bater do coração, para que os homens se tratem como homens, apesar de sua inevitável desigualdade.

Tradução: Luís Miguel Cintra | Encenação: Gil Salgueiro Nave | Cenários e figurinos: Luís Mouro | Desenho de luz: Fernando Sena | Interpretação: Fernando Landeira, Miguel Telmo, Margarida Calaveiras, Roberto Jácome e Sílvia Morais| Operação de luz e som: Tomás Torres