"A Bela Verdade" (2019) / Peças

de Carlo Goldoni

    Estreia: 10/10/2019 Em cena
    Tradução e encenação: Gil Salgueiro Nave
    Cenografia e figurinos: Luís Mouro
    Música original: Helder Filipe Gonçalves
    Desenho de luz: Fernando Sena
    Operação de luz e som: Pedro Bilou
    Confeção de figurinos: Cidália Guerreiro
    Carpintaria: Ivo Cunha
    Cartaz: Luís Mouro
    Produção: Celina Gonçalves
    Fotografia e Vídeo: Ovelha Eléctrica
    Interpretação: Fernando Landeira, Hâmbar de Sousa, Inês Barros, Roberto Jácome, Sílvia Morais, Susana Gouveia e Tiago Moreira
Carlo Goldoni (1707-1793), referência fundamental do teatro europeu do século XVIII, influenciou profundamente o gosto e a prática teatral do seu tempo operando a “reforma” do teatro italiano, reforma que desencadeou os fundamentos de uma nova dramaturgia europeia. Portugal esteve na rota deste autor. Largas dezenas de comédias, farsas e “dramas per musica” da autoria de Goldoni, foram traduzidas e adaptadas ao “gosto português” e insistentemente programadas nos “Theatros Públicos da Corte” do Portugal de setecentos. O número de obras do autor depositadas na Biblioteca Nacional de Lisboa, confirma a importância do teatro goldoniano no nosso país. A prática de um reportório atento à história do teatro, à sua escrita e realização cénica, tem proporcionado uma recorrente relação do Teatro das Beiras com a obra de Carlo Goldoni: a companhia produziu no ano 2000, “Uma das últimas tardes de carnaval”, em 2007 ,“Molière” (comédia biográfica que Goldoni escreve homenageando aquele de quem era grande admirador) e em 2012, “Farsas per Música” (La Cantarina e Matrimónio discorde). Goldoni escreve, em 1762, ”A Bela Verdade”, uma das obras mais originais e a mais autobiográfica, onde o autor é representado pelo personagem Lorano Glodoci, precisamente no papel de escritor de peças. No argumento, uma companhia ensaia o drama jocoso "As Bodas". Actores e empresário solicitam a Glodoci, o autor, para que escreva um novo argumento capaz de interessar e motivar o público. O autor aceita por fim e não sem dificuldade, compor uma nova obra; “uma obra em gestação”. A partir de então, actores e empresário todos lhe apresentam exigências. O enfadado autor tem de enfrentar todo o tipo de dificuldades; o mau humor do empresário, os caprichos dos actores, disputas de papéis, contratempos… Apesar de tudo consegue impor os seus critérios e escreve uma “obra-verdade”, exatamente a que se está representando. O drama é, desta forma, um quadro de costumes sobre o mundo do teatro, dos artistas, do palco e simultaneamente, uma reflexão sobre o entendimento e a forma que Goldoni encontra para expor o seu conceito da “verdade” teatral. Esta obra destaca o conceito que Goldoni se propõe encetar, sobressaindo o sentido autobiográfico e carácter metateatral. Goldoni apresenta os ingredientes para um teatro que substitua os arquétipos já desgastados dos personagens/máscara da commedia dell’arte, para dar lugar a personagens de carácter realista e rosto humano, anunciadores de mudanças sociais que inevitavelmente se aproximavam com as alterações políticas do tempo

Outras peças em cena