Festival de Teatro 2021 / Programa


Auditório do Teatro das Beiras
5 de novembro de 2021
21h30

ACTA - A COMPANHIA DE TEATRO DO ALGARVE

A Noite de Molly Bloom

 James Joyce

No último capítulo do Ulisses, de Joyce, o senhor Leopold Bloom, depois de deambular vinte horas por lugares de Dublin regressa a casa a fim de se deitar com a sua esposa. Pois, deita-se e logo adormece. É durante o sono do senhor Bloom que a esposa, Molly, desvenda facetas da personalidade dele e da sua própria. É um solilóquio torrencial, fragmentado, com frases ligadas ininterruptamente por associações de pensamentos, sonhos e fantasias eróticas que assolam esta mulher durante a insónia. Debate-se a questão da evidência, ou não, de se tratar de um discurso com sentido feminista. A nós, interessa-nos sobretudo abordar esta metáfora de Penélope no plano existencial.
Ficha técnica
Autor: a partir do XVIII capítulo de Ulisses, de James Joyce | Adaptação e dramaturgia: José Sanchis Sinisterra | Tradução: José Bento | Encenação: Luís Vicente | Espaço Cénico: Octávio Oliveira e Luís Vicente | Intérpretes: Glória Fernandes e Bruno Martins | Voz off em Avé Maria, de Gounod: Lara Martins | Desenho e operação de luz: Octávio Oliveira | Desenho e operação de som: Diogo Aleixo | Multimédia: João Franck | Assistente de encenação: Constança de Melo | Design: Rita Merlin | Assistente de comunicação: Sofia Margarida | Produção: Ana Anastácio e Márcia Martinho

teatro | 60min. | maiores 16 anos


Auditório do Teatro das Beiras
6 de novembro de 2021
16h00

TEATRO DO MONTEMURO

À espera que volte

 Madalena Victorino e Paulo Duarte

O homem forte e bom que vem ao nosso encontro, é Piotor. Piotor não é português. Caiu de um avião de carga numa noite de temporal, numa serra árida onde depois de muito andar no escuro, encontra um cão. Esse cão é pastor e leva-o para junto do seu rebanho. O rebanho leva-o para a aldeia. Na aldeia há um teatro e o vazio que Piotor sentia, preencheu-se. Piotor trouxe consigo uma história sobre a água…sobre uma gota de água que ao cair do céu da Rússia, transforma as crianças que a querem ouvir, em pequenos russos que em vez de mãos, têm o poder de trazer a chuva e o dilúvio para dentro de casa. Quando a história termina, as crianças só esperam que a gota de água volte a cair para refrescar os seus dedos…
Ficha técnica
Texto: Madalena Victorino e Paulo Duarte | Encenação: Madalena Victorino | Assistente de encenação: Abel Duarte | Cenografia e figurinos: Sandra Neves | Direção musical e banda sonora: Fernando Mota | Interpretação: Piotor (Paulo Duarte) a sua Sombra (Maria da Conceição Almeida) e sete pequenos músicos russos

teatro | 60min. | maiores 6 anos


Auditório do Teatro das Beiras
8 de novembro de 2021
14h30

COMPANHIA CERTA (VARAZIM TEATRO)

D. Quixote

 Adaptação livre a partir de Miguel Cervantes

Ah, não são umas pedradas que me vão deter… todas estas batalhas anunciam que estamos perto da riqueza e da grande glória. Adiante, para diante é que é o caminho. Vamos, vamos, há donzelas a salvar, terras para libertar e ingénuos para ajudar. Com muito humor e alegria, uma adaptação do grande clássico da literatura mundial, que dá a conhecer, aos mais novos, a inesquecível personagem de Dom Quixote de la Mancha. Apenas dois atores dão vida a passagens hilariantes como a aventura com os moinhos de vento, a batalha com o rebanho de ovelhas, a espantosa e desatinada aventura com os leões, o maravilhoso encontro com os Duques, entre outras aventuras que têm tanto de fantástico como desastrosas. Um espetáculo que desperta a curiosidade para uma das obras mais fascinantes da literatura mundial, deixando uma mensagem de incentivo à aventura. Este D. Quixote com o seu fiel companheiro Sancho Pança prometem divertir, encantar e apelar à coragem de viver os próprios sonhos.
Ficha técnica
Adaptação livre a partir da Obra de Miguel Cervantes | Encenação: Eduardo Faria | Dramaturgia: Joana Soares | Interpretação: Eduardo Faria e Joana Soares | Adereços e figurinos: Joana Soares | Produção: Varazim Teatro

teatro | 50min. | maiores 4 anos


Auditório do Teatro das Beiras
9 de novembro de 2021
21h30

TRANVÍA TEATRO

El Jardín de Valentín

 Cristina Yáñez

Teatro do Absurdo para tempos... Raros? Três personagens próximos a Buster Keaton, Charlot ou aos irmãos Marx, oferecem-nos a sua visão peculiar e surpreendente da realidade e da vida, às vezes delirante, outras vezes cruel, irónica, divertida e transgressora. A sua existência está marcada pela repetição. Esperam sempre por algo que acaba por não chegar, imaginam situações que talvez nunca existam, inventam histórias impossíveis. No seu mundo tudo pode acontecer, mas nunca acontece nada. Eles anseiam pelo mundo exterior, por viver a vida dos “de fora”. Que aconteceria se num belo dia um deles decidisse quebrar a convenção, esquecer as regras e viver a sua própria aventura? Tudo é possível nestes tempos em que vivemos, até mesmo a esperança de que um mundo melhor é possível.
Ficha técnica
Dramaturgia: Cristina Yáñez | Direção e Encenação: Cristina Yáñez | Interpretação: Javier Anós, Daniel Martos e Natalia Gomara | Cenografia e Adereços: F. Labrador | Iluminação e Criação Vídeo: Felipe García Romero | Espaço sonoro – arranjos musicais: Rubén Larrea | Figurinos: Jesús Sesma | Maquilhagem: Ana Bruned | Design gráfico: Samuel Aznar | Fotografia: Juan Moreno | Produção Executiva: Fernando Vallejo

teatro | aprox. 80min. | maiores 16 anos


Auditório do Teatro das Beiras
10 de novembro de 2021
21h30

CEGADA GRUPO DE TEATRO

Feira de Outubro

 A partir de António Onetti

Três raparigas vivaças, marotas, desbragadas, vivendo a vida como podem, encontrando a alegria nas festas da sua cidade. Três personagens que, criadas por António Onetti, tanto serão naturais de Sevilha de Espanha, como de Vila Franca de Xira de Portugal. Caracterizadas pela diversidade cultural do subúrbio, mesmo às portas de Lisboa, entre fábricas, epidemias, bebedeiras… e com um amanhã nunca muito diferente do ontem. Um olhar para toda uma região de gente invisível que vive mesmo ao lado da cidade – gente que anda nos comboios suburbanos, que chega cansada a uma casa, que ninguém vê.
Ficha técnica
A partir de António Onetti | Encenação: Rui Dionísio | Interpretação: Ana Lúcia Magalhães, Juana Pereira da Silva, Sara Cipriano e Frederico Costa | Movimento: Teresa Marcelino | Voz e Elocução: Luís Madureira | Cenografia: José Manuel Castanheira | Iluminação: Miguel Cruz | Figurinos: Rita Gaspar, Fátima Bibes | Criação: Cegada Grupo de Teatro

teatro | aprox. 60min. | maiores 16 anos


Auditório do Teatro das Beiras
14 de novembro de 2021
16h00

TEATRO ESTÚDIO FONTENOVA

Caminhos de Pan

 A partir de Marcel Schwob

5 a.C. aprox., uma família da Nazaré com um bebé foge de Belém para o Egipto. 1212 d.C., milhares de crianças cristãs Europeias tentam cruzar a Europa e África para conquistar a Terra Sagrada aos Muçulmanos. 1939 d.C. milhares de crianças, na sua maioria Judias, são transportadas da Alemanha, Áustria, Checoslováquia, Polónia para países como França, Bélgica ou Reino Unido. 2017 d.C. aprox. um milhão de crianças procuram asilo na União Europeia. Fugir, procurar, cruzar, transportar, refugiar em procura de algo melhor, a sua Terra do Nunca. Nesta performance, bebemos da(s) história(s) de fuga, a partir de “A Cruzada das Crianças", de Marcel Schwob, como fio condutor.
Ficha técnica
Criação: Eduardo Dias e Patrícia Paixão | Interpretação: Patrícia Paixão e Ricardo Guerreiro Campos | Música Instrumental Intro: Inês Monteiro Pires | Música Final: A Garota Não (Tema "Mediterrâneo") | Imagem, Vídeo e Operação Técnica: Leonardo Silva | Apoio ao Design Gráfico: Flávia Rodrigues Piątkiewicz | Produção: Graziela Dias | Coprodução: Casa Da Cultura, Setúbal | Produção Executiva: Teatro Estúdio Fontenova

performance | 35min. | maiores 12 anos


Teatro Municipal da Covilhã
30 de novembro de 2021
21h30

COMPANHIA DE TEATRO DE BRAGA

Gostava de Estar Viva Para Vê-los Sofrer!

 Max Aub

“Isto o vi eu. E continuo viva. E ainda há quem não queira inteirar-se.” A dureza testemunhal é uma das principais qualidades deste texto seco e sórdido de Aub. Não quero que ninguém me console, diz Emma Blumennthal ao resistir à tentação melodramática e ao esquecimento. Tenta mitigar a sua própria amargura por todas as perdas, encontrando-lhes um sentido e uma missão. E a sua missão é o testemunho, a presença e a denúncia: isso eu vi. Sim! E ainda estou viva. E ainda há quem não queira inteirar-se. As suas palavras assumem uma dimensão enorme e justificam a sua presença diante de nós. Apesar do sofrimento, aquela mulher torturada pela vida e pela história decide ir em frente, viver, lutar e, acima de tudo, recordar, porque como diz: se não houver memória, para que se vive? Isto explica claramente a nossa proposta: romper as fronteiras do silêncio e do esquecimento. Por isso veio, para que nos deixe observar sua miséria e degradação, por isso vamos pôr em cena este texto; para não esquecer aqueles que viveram estas e outras guerras, recordar as vítimas dos totalitarismos aniquilantes e avisar para o perigo de uma sociedade que roça a debilidade. Para reivindicar o valor do teatro testemunho do exílio, como um instrumento vivo e eficaz para interpelar a sociedade. Ignácio Garcia
Ficha técnica
Autor: Max Aub | Tradução: Ivonete da Silva Isidoro | Encenação e dramaturgia: Ignácio Garcia | Assistente de encenação: Solange Sá, Grasiela Muller | Adereços: Grasiela Muller | Cenografia: José Manuel Castanheira | Técnico de luz e som: Fábio Tierri | Figurinos: Manuela Bronze | Confeção: Mónica Melo | Desenho de luz: Bogumił Palewic | Fotografia: Eduarda Filipa | Vídeo: Frederico Bustorff Madeira| Elenco: Ana Bustorff (actriz convidada)

teatro | 60min. | maiores 12 anos


Auditório do Teatro das Beiras
7 de dezembro de 2021
21h30

TEATRO DAS BEIRAS

A Força do Hábito - NOVA DATA

 Thomas Bernhard

As criaturas vulgares Se “A Força do Hábito” fosse um quadro de Magritte, teria inscrita a frase: “Isto não é um retrato de artistas”. Artistas relutantes, diga-se. Exilados, ambulantes – o público no escuro é reconhecido pelo faro apurado de Garibaldi: em cada cidade, um cheiro diferente. Os artistas odeiam-se entre si, não se entendem, embora precisem uns dos outros, e por isso mesmo. Para tocar em conjunto, para continuarem vivos. Continuando a ensaiar o “Quinteto da Truta”. A vida de todos os mortais precisa de narrativas construídas pelos artistas. E de que se alimentam os artistas para sua sobrevivência, para além do cheiro do público? Doutras artes, doutras práticas que lhes exigem persistência em busca da perfeição. A par dos afectos esquinados pelas ovelhas tresmalhadas da família e das memórias extremas. Dos momentos inesquecíveis, entre a ocasião sublime e o acidente fatal. Provas de vida a cada dia de ensaio, dentro e fora da “pista”. Sentidos alerta: um passo em falso, e é a morte do artista. Não desistir do treino e do rigor: cabeças e corpos. Ferrara / fé rara. De terra em terra, de estação a estação, a viagem com esperança no infinitamente difícil, inatingível. Uma homenagem que Thomas Bernhard presta à gente do Teatro, do Circo e da Música, com verrina e ternura. Criaturas (in)vulgares em versão de câmara. Nuno Carinhas
Ficha técnica
Autor: Thomas Bernhard | Tradução: Alberto Pimenta | Encenação: Nuno Carinhas | Cenografia, figurinos e cartaz: Luís Mouro | Desenho de luz: Fernando Sena | Sonoplastia: Hâmbar de Sousa | Interpretação: Fernando Landeira, Roberto Jácome, Sílvia Morais, Susana Gouveia e Tiago Moreira | Apoio musical: Maria Gomes e Rogério Peixinho | Operação de luz e som: Hâmbar de Sousa | Confeção de figurinos: Sofia Craveiro | Carpintaria: Pedro Melfe | Produção: Celina Gonçalves | Fotografia e Vídeo: Ovelha Eléctrica

teatro | 80min. | maiores 12 anos