Numa noite chuvosa e rasgada por trovões, quatro jovens encontram abrigo num teatro abandonado. O pó levanta-se como memória, o silêncio escuta-os. Os fantasmas murmuram. No centro do palco, um livro antigo espera Dom Quixote e o seu escudeiro Sancho Pança.
Abrem-no.
E, sem saber como, caem lá dentro.
O que era papel transforma-se em vento, em cavalo, em gigantes. As palavras ganham corpo. As vozes multiplicam-se. Eles já não são apenas quatro são muitos mais, são outros, são personagens, são tudo aquilo que ousarem imaginar.
Tal como Dom Quixote e Sancho Pança, estes quatro jovens estão no palco, no lugar das histórias, no lugar onde o real se desfaz e o sonho começa. E talvez não haja diferença.
Inventam mundos como quem acende luzes no escuro. Perdem-se para se encontrarem. Brincam à loucura ou será à liberdade? E uma pergunta fica suspensa no ar: quem é que decide o que é verdadeiro?
Lá fora, o mundo corre depressa. Ecrãs acesos, internet acelerada, tudo imediato, tudo já. O mistério encolhe. A imaginação adormece.
Mas aqui, neste palco, ela, a imaginação, resiste.
Respira.
Cresce.
E lembra-nos que imaginar pode ser o mais corajoso dos actos. Que a imaginação é a energia mais poderosa do mundo.
O Teatro das Beiras abre-te a porta.
Entra.
Talvez, tal como D.Quixote, nunca mais vejas a realidade da mesma forma.