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Festival de Teatro

Discurso
Teatro da Rainha

Discurso sobre o filho-da-puta


Alberto Pimenta
Auditório do Teatro das Beiras
24 de setembro 2020
21H30

O filho-da-puta é um comemorativista, um amante das datas que celebram as mortes, um militante da acumulação do regresso do passado como peso e inércia dramática e kitch, ele grita em surdina para si mesmo “viva a morte”, como o general de Franco, pois cultua as abstracções herói-maníacas, a megalomania e a grandiloquência, sendo admirador da tortura e do castigo, da sevícia. Sim, nele, tudo tem a ver com a morte, como refere Pimenta, com celebrar a morte mas também com flores de plástico. Esta peça é um grito gramaticalmente impecável, rigoroso, pela liberdade livre e contra o preconceito e o amiguismo hipócrita e nepótico que continua a constituir os modos da nossa sociabilidade sempre muito atravessadas de ambições de poder e poderes. “AQUI JAZ O BEM-AMADO… ONDE AS MINHOCAS O COMEM; FOI HOMEM DALGUM ESTADO MAS PERDEU ESTADO DE HOMEM.”

Texto: Alberto Pimenta

Direção: Fernando Mora Ramos [Encenação] e Miguel Azguime [Composição Musical]

Quarteto de Cordas Vocais: Cibele Maçãs, Fábio Costa, Marta Taveira e Nuno Machado

Galeria de retratos de FDP’s: José Serrão

Estátuda do FDP: Mariana Sampaio

Iluminação: António Anunciação e Lucas Keating

Cenografia e figurinos: Fernando Mora Ramos

Teatro da Rainha
Teatro | 90 min | Para maiores de 14 anos
Armazenados
Teatro Art'Imagem

Armazenados


David Desola
Auditório do Teatro das Beiras
25 de setembro 2020
21H30

Num armazém vazio de mercadoria, nada é mais legítimo do que pensar-se que o stock são os próprios empregados; neste caso, o Senhor Lino e o Nin. E, se os empregados são relegados à condição de mercadoria, estamos perante uma perversão evidente: sobre eles passa a imperar as leis de mercado em vez das leis laborais, criadas com o intuito de lhes assegurar a tal dignidade, entretanto abdicada em prol de uma soldada, supostamente atribuída em paga dos seus préstimos. Este texto, apesar de uma aparente singeleza, coloca-nos perante algumas questões essenciais, quer por sugestão, quer por identificação. Questões essas que versam fundamentalmente acerca da dignidade humana. Ficamos perante um impasse, que pode ao mesmo tempo ser de ordem puramente filosófica, como um pouco mais determinista e pragmática: Será mesmo que o trabalho dignifica o Homem? Se o livre arbítrio, como diz Deleuze, tem mais a ver com a capacidade de criar do que com questões ligadas à alma e a espiritualidade, ao Senhor Lino e ao Nin, a forma de se organizar socialmente deste tempo retirou-lhes essa possibilidade, o que nos inquieta enquanto criadores crentes numa arte que coloca questões em permanência no sentido de nos aproximar o mais perto possível da resposta às perguntas fundamentais: O que é um Homem? Ou então: o que é ser Homem? O texto põe em cena duas gerações distintas, duas conceções diametralmente opostas do mundo. Contudo, entre presente (Nin) e passado (Senhor Lino), há algo de comum: a certeza de que tudo será como sempre foi; que a seguir à luz segue a escuridão, ou vice-versa, tanto faz. Todo o espectáculo será balizado por uma lógica do vazio; porque é dentro dessa lógica que decorre toda acção da peça: um amplo espaço vazio; o logro de um ofício que não existe; a relação entre dois desconhecidos. A peça é também uma abordagem do tempo: o tempo de uma jornada; de uma vida; o tempo da incerteza; mas também o tempo do tempo que se gasta e se esgota impiedosamente.

Texto: David Desola

Tradução: Afonso Becerra e Diana Vasconcelos

Encenação: Flávio Hamilton

Interpretação: Pedro Carvalho e Jimmy Nunez

Iluminação e Sonoplastia: Eduardo Abdala

Espaço Cénico: Eduardo Abdala e Flávio Hamilton

Design Gráfico: André Rabaça

Operação de Luz: José Lopes

Operação Som: Flávio Hamilton

Direcção Artística do Teatro Art’Imagem: José Leitão

Produção: Sofia Leal e Daniela Pêgo

Teatro Art'Imagem
Teatro | 70 min | Para maiores de 12 anos
Librodebuenamor
Teatro Guirigai

Libro de Buen Amor


Agustín Iglesias
Auditório do Teatro das Beiras
26 de setembro 2020
21H30

A Comparsa del Arcipreste chega comemorando a procissão da Virgem e a fertilidade da Terra. Anuncie os prazeres do Bom Amor e o bom humor necessários para as artes da sedução. Eles encenam a juventude inexperiente do Arcipreste apaixonado por cristãs, mouras e judias; os conselhos de Don Amor e Venus; as histórias de amantes preguiçosos, as de Pitas Payas; o amor de Don Melón e Dona Endrina; a astúcia de Trotaconventos; a luta entre Don Carnal e Dona Cuaresma. A Comparsa se despede comemorando a plenitude da freira Dona Garoza.

Texto e direção: Agustín Iglesias

Música original: Fernando Ortiz

Cenografia: Marcelino Santiago Kukas

Figurinos: Luisa Santos

Coreografia: Fernando Sanz Romualdo

Interpretação: Raúl Rodríguez, Magda Gª-Arenal, Jesús Peñas, Mercedes Lur e Asunción Sanz

Projeto de iluminação: Lucía Alvarado

Espaço Cénico: Jean Halbing

Gravação: EWWK

Técnico de luz e som: José Mª Mato

Design gráfico: Isabel Dublino

Comunicação: Toñi Escobero

Produção: TEATRO GUIRIGAI

Teatro Guirigai
Teatro | 90 min | Para maiores de 16 anos
Plastikus
Krisalida Teatro

Plastikus


Teatro de Marionetas
Auditório do Teatro das Beiras
28 de setembro 2020
18H30

Ondina vive junto às ondas do mar, onde elas rebentam e enchem de espuma a praia. Durante muitos e muitos anos, apenas a espuma banhava a areia da praia. E era aí que Ondina brincava com os seixos e com a espuma do mar. Mas novos objetos com sons, cores e formas extraordinárias surgiram na sua vida e Ondina gostava de brincar com eles. Pareciam uma nova espécie muito amigável e tão prestável que, devagarinho, se foram entranhando na sua vida. Quanto mais se entranhavam, mais ela precisava deles e sem dar por isso, o PLASTIKUS tornou-se absolutamente indispensável. E, assim cresceu, cresceu, cresceu na sua vida e Ondina rapidamente descobriu que ele estava por todo o lado! Por todo o lado mesmo!

Encenação: Clara Ribeiro

Interpretação: Carla Magalhães, Joana Vilar e Nuno J. Loureiro

Direção Plástica e Marionetas: Teatro e Marionetas de Mandrágora

Espaço cénico, Adereços e Figurinos: Grácia Cordeiro

Desenho de Luz: Rui Gonçalves

Desenho de Som: Manuel Brásio

Design: Ricardo Ferreira

Comunicação: Rubina Jassat

Produção: Krisálida

Krisalida Teatro
45 min | Para maiores de 3 anos
Ogatomalhado
Teatro do Noroeste

O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá


Jorge Amado
Auditório do Teatro das Beiras
29 de setembro 2020
18H30

Engana-se quem pensa que uma andorinha não se pode apaixonar por um gato. Esta é a história que a Manhã ouviu do Vento e contou ao Tempo. Uma História de amor. Uma reflexão sobre um mundo de preconceitos, desigualdades, injustiças, incompreensão e pouco amor ou, pelo menos, ainda não o suficiente. Um mundo, enfim, que não presta. Até porque: "O mundo só vai prestar/ Para nele se viver/ No dia em que a gente ver/ Um gato maltês casar/ Com uma alegre andorinha/ Saindo os dois a voar/ O noivo e a sua noivinha/ Dom Gato e dona Andorinha".

Texto a partir de O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá de Jorge Amado

Cocriação e Encenação: Tiago Fernandes

Cocriação e Interpretação: Ana Perfeito, Alexandre Calçada e Elisabete Pinto

Construção de Cenário e Adereços: Jorge Portela e José Esteves

Guarda Roupa: Teresa Soares

Apoio ao Guarda Roupa: Flávia Silva e Hugo Rodrigues (Estágio Curricular do Curso Profissional de Design de Moda ETAP Cerveira)

Voz-off: Maria Alcina Cruz

Desenho de Luz: Nuno Almeida

Seleção Musical: Tiago Fernandes

Produção: Adriel Filipe

Desenho Gráfico e Fotografia: Rui Carvalho

Teatro do Noroeste
Teatro | 50 min | Para maiores de 3 anos
Germinacao
Teatro do Montemuro

Germinação


Abel Neves
Auditório do Teatro das Beiras
30 de setembro 2020
18H30

Alpindo e Boleta são dois amigos gaiteiros também pantomineiros. Para eles a vida é jardinagem e uma constante viagem. Gostam tanto de histórias e de viajar, que levam nas mochilas muito que contar. Falam tanto de reis da história de Portugal como de palavrinhas inventadas com sabor musical. Fazem germinar ideias como o rio dá lampreias. Um podia ser Florindo e a outra Borboleta mas, ei-los, meninas e meninos, Alpindo e Boleta, num teatrinho de canção que se chama Germinação.

Texto: Abel Neves

Encenação: Paulo Duarte

Cenografia, adereços e figurinos: Sandra Neves

Direção musical: Fernando Mota

Interpretação: Abel Duarte e Dóris Marcos

Assistência à cenografia e cenários: Carlos Cal e Maria da Conceição Almeida

Costureiras: Capuchinhas CRL e Maria do Carmo Félix

Direção de Produção e Comunicação: Paula Teixeira

Assistência à produção e comunicação: Marta de Baptista

Direção de cena: Abel Duarte

Teatro do Montemuro
Teatro | 60 min | Para maiores de 6 anos
Ellicenciado
Karlik Danza Teatro

El Licenciado Vidriera


Miguel Cervantes
Auditório do Teatro das Beiras
02 de outubro 2020
21H30

"El Licenciado Vidriera" é uma adaptação do texto de Cervantes inspirada nos novos conceitos de dramaturgia, mas respeitando a obra original e a linguagem de Cervantes. Funde o teatro textual e físico com o flamenco ao vivo, símbolo do grito de loucura do protagonista, e com um espaço sonoro que transforma composições musicais em verdadeiras referências com valor narrativo. Um conto pertencente às "novelas exemplares", escrita entre 1590 e 1612, mas que não foram reunidos até 1613 pelo próprio Cervantes, após o reconhecimento obtido pela primeira parte de D. Quixote. "Mr. Vidriera" é a nossa adaptação, a partir de um processo de investigação teatral contemporânea. Com uma aposta cenográfica carregada de poesia visual, há um trabalho conceptual dos objetos e um simbolismo em que os elementos adquirem significados diferentes, nos quais as criações em vídeo também têm destaque.

Texto: Miguel Cervantes

Direção e dramaturgia: Cristina D. Silveira

Adaptação e assistência: Pedro Luis López Bellot

Interpretação: Jorge Barrantes e Alberto Moreno

Cenografia e adereços: David Pérez e Diego Ramos

Figurinos: Myriam Cruz

Espaço Sonoro: Álvaro Rodríguez

Criação de vídeo: El Desván Teatro e Mara Nuñez

Iluminação: David Pérez

Karlik Danza Teatro
Teatro | 60 min | Para maiores de 16 anos
Unadonnasola
Teatro das Beiras

Una Donna Sola


Dario Fo e Franca Rame
Auditório do Teatro das Beiras
03 de outubro 2020
21H30

Numa sala muito cor-de-rosa, de uma casa muito escura, uma solitária mulher executa a rotineira tarefa “muito feminina” de passar a roupa a ferro. Ela passa, passa, passa… Subitamente, dá conta que no prédio defronte, num apartamento até então desabitado, se instalou uma nova inquilina. Tudo muda: deixa de estar só! Começa então entre elas uma conversa (na verdade, um solilóquio) na qual, sob múltiplos aspetos, se evidencia a relação homem/mulher, hoje como no passado, uma questão de antropofagia. Diz Unamuno que o homem não pode viver senão de fome. A mais viva expressão de amor é “Eu comia-te!” (...) Só que hoje já não comemos as carnes; comemos as almas! É desta matéria, na sua abrangência real e metafórica, que fala o espetáculo. Contribuir para uma reflexão bem disposta sobre a condição feminina, fazendo jus às palavras de Franca Rame: “Há dois mil anos que choramos. Vamos agora rir, rir de nós próprias".

Texto: Dario Fo e Franca Rame

Encenação: Luís Vicente

Cenografia e figurinos: Luís Mouro

Desenho de luz: Fernando Sena

Interpretação: Antónia Terrinha

Operação de luz: Hâmbar de Sousa

Operação de som: Fernando Sena

Voz-off: Luís Vicente, Nuno Geraldo e Roberto Jácome

Costureira: Amélia Cunha

Produção: Celina Gonçalves

Fotografia e Vídeo: Ovelha Eléctrica

Teatro das Beiras
Teatro | 55 min | Para maiores de 14 anos